Depoimentos

“Conheci a canoagem no ano de 1997 por intermédio dos professores Evaldo Malato e Carlos Alberto no Núcleo de Treinamento da Universidade Federal do Pará. Os professores observando meu potencial, já que eu praticava vários esportes como natação, ciclismo, atletismo e futebol para amputados, onde passei cinco anos representando a Seleção Brasileira desta última modalidade, me convidaram para a prática da Paracanoagem. Minha primeira competição oficial de canoagem foi o Campeonato Brasileiro de Velocidade de 1999, em Curitiba, onde me sagrei o primeiro campeão brasileiro da canoagem velocidade “adaptado”. Desde minha primeira largada não parei mais de colecionar medalhas e títulos. Considero a canoagem como meu grande vicio, lógico, um bom vicio, já que não consigo ficar um dia sem remar. A canoagem vem me ajudando a superar limites e a realizar sonhos, que antes pareciam impossíveis”,

José Agmarino
Atleta Para-olímpico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


“Desde criança fui um apaixonado por esporte. Pratiquei tudo que era possível: judô handebol, joguei futebol em categorias de base chegando a me profissionalizar. Aos 18 anos fui convocado para o Exercito Brasileiro que interrompeu minha carreira futebolística, porém dei início a outra. Comecei a praticar o boxe onde cheguei a fazer diversas lutas me sagrando campeão carioca amador. No dia 4 de Julho de 2009 na volta para casa após uma partida de futebol acabei dormindo ao volante e acordando em um lugar cheio de luzes e cheio de pessoas com roupas brancas. Cheguei a me perguntar se ali seria o céu, pois ainda estava sob efeito de fortes medicamentos e analgésicos. Mas a situação foi se acalmando e fui tomando consciência dos fatos e percebi que estava em um hospital. Percebi que não estava sentindo minhas pernas e aquela sensação me causou desespero, porém uma força enorme que não sei de onde veio me tranqüilizou e comecei a viver dia após dia. Passei cinco dias na UTI, mas ali já sabia que estava fora de risco de vida. Passei um mês internado e logo fui para casa e lá fiquei mais um mês. No terceiro mês fui para Brasília no Hospital de Reabilitação Sarah, onde encontrei um lugar com pessoas que estariam vivendo uma realidade parecida com a minha. Lesões medular, lesões cerebrais e todo tipo de problemas. Isso me fortaleceu demais, pois pude ver que por mais difícil que fosse meu problema, ali tinha pessoas com dificuldades bem maiores, lutando com toda garra pela vida. Eu já estava decidido que não iria me entregar e quando cheguei tive a certeza que realmente não me entregaria e sim deveria agradecer a DEUS pela oportunidade dada. Dei início a fisioterapia e posteriormente aos treinos físicos, mesmo que bem leves. Meu objetivo principal, logicamente era voltar a andar, porém não iria parar minha vida para esperar este momento, mas daria toda a minha dedicação por ele. Iniciei minhas atividades esportivas como musculação, canoagem, corridas na cadeira e caminhadas com ortese na fisioterapia. Isso me proporcionava um enorme prazer, poder me superar a cada dia. Nós remávamos em uma canoa estilo canadense, porém a sensação de estar sentado por cima da água e numa condição de igual pra igual com qualquer outro ser humanos me dava uma sensação inexplicável , foi quando soube por meio de amigos que haveria uma prova de Canoagem Maratona no Lago Paranoá. Entrei em contato com a organizadora da prova para saber se havia algum deficiente físico que iria participar da mesma e se teria como adaptar algum caiaque. Ela no mesmo momento me respondeu que nunca havia trabalhado com nenhum deficiente, mas seria possível adaptarmos um caiaque e fazer alguns treinos para o dia da prova. La fui eu para a prova, mal consegui dormir, pois havia me inscrito na prova de 12 km, sendo que nunca havia remado essa distancia. Foi dada a largada e tentei acompanhar os primeiros colocados, porém sem técnica alguma nao conseguia imprimir muita velocidade, mas naquele momento eu me vi no Paranoá cercado pela natureza, sentido o vento bater no rosto e uma sensação de igualdade e liberdade incrível e ali eu decidi que aquele esporte iria fazer parte de mim pro resto da minha vida. Com muitas dores e extremamente cansado continuei remando, pois não poderia desistir de maneira alguma. Eu sei que eu estava ali representando uma parte da população que vivem momentos de dificuldade como o meu e que muitas vezes tem vergonha de sair de casa por preconceitos e pela falta de estrutura que temos no nosso pais. Hoje, 10 meses após meu acidente, estou em São Paulo treinando e dando continuidade a minha preparação. Ainda tenho FÉ e ESPERANÇA que as coisas vão melhorar, e enquanto isso vou ultrapassando e atropelando as dificuldades sem medo e utilizando a maior ferramenta que DEUS me deu O Esporte”

Fernando Fernandes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


“Eu nasci com uma deficiência congênita que atingiu meus dois pés. Realizei minha primeira cirurgia quando tinha um ano e um mês de vida e, aos 13 anos, já tinha realizado 13 cirurgias, todas elas em Petrolina/PE. Devido à violência urbana de onde morávamos minha mãe resolveu vir embora para o interior de São Paulo, para Pirajú/SP. Certo dia estava andando pela rua e conheci uma pessoa que dava aula de canoagem e esta me convidou para entrar na escola de Canoagem Slalom de Piraju. Eu ainda não sabia o que era canoagem, mas no outro dia fui conhecer o esporte e foi quando tive minha primeira aula com o Claudiney de Almeida, mais conhecido como Dime. Iniciamos as aulas, mas chegamos à conclusão de que o Slalom era um pouco difícil para mim. Então o Dime falou-me da Canoagem Velocidade e da possibilidade de eu migrar para esta modalidade. Eu logo gostei da Velocidade, desde o primeiro dia, e não parei mais de remar. Eu não posso mais trabalhar, sendo assim, a Canoagem Velocidade mudou muito a minha vida, viajo bastante e tenho amigos que gostam de mim. Até meu medico falou-me que a canoagem é muito boa para mim, para que eu possa desenvolver muitas coisas que ajudarão ou serão favoráveis ao tratamento de minha deficiência. Esta é um pouco de minha história, de como cheguei à canoagem e, do quanto me apaixonei por ela”,

Patrick Ronald Nunes de Almeida.



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