
A Para-Canoagem é a canoagem executada por Portadoras de Necessidades Especiais (PNE) - deficiência física, auditiva, mental, visual ou múltiplas. Ela pode ou não usar equipamentos extras que auxiliem no prática da modalidade para melhorar seu rendimento com segurança.
As adaptações podem ser nos barcos ou externas, ou seja, gestos, comunicação por sons especiais e até adaptações nas regras
Em todos os casos, a Para-Canoagem pode servir para lazer, recreação e competição. Observando-se alguns aspectos de segurança e tendo um conhecimento da deficiência, todo clube ou escola de canoagem pode atender o portador de necessidades especiais.
Todo o trabalho realizado na Para-Canoagem tem como objetivo geral alcançar a maior autonomia possível durante a prática desse esporte. Assim, com a criação de hábitos e costumes adquiridos na aprendizagem, busca-se que o aluno ou atleta consiga, de forma independente, entrar no caiaque, realizar seu treino na água e sair do caiaque, com a menor ajuda possível de terceiros.
A canoagem é um excelente esporte a ser praticado, pois dentro de um caiaque ocorre uma igualdade de possibilidades dos PNE's em relação aos atletas sem deficiências. Juntos, os portadores de necessidades especiais, têm iguais condições de liberdade para locomoção, sendo que o desempenho técnico e físico depende exclusivamente da própria pessoa. Logo, podemos dizer que dentro de um caiaque, as deficiências 'desaparecem'.

O Esporte e o Portador de Deficiência
Texto por Luciano Comerlato, membro consultivo do Comitê de Para-Canoagem
Apesar das conquistas do movimento paraolímpico internacional, a participação de deficientes em atividades físicas regulares ainda é muito pequena. A deficiência por si leva a uma diminuição na capacidade de trabalho em graus variados.
Recentes estudos mostram que as causas de morte em lesados medulares estão se aproximando daquelas da população geral, com aumento na prevalência de doenças cardiovasculares e outras associadas ao sedentarismo.
Os efeitos do sedentarismo, tais como diminuição da resistência aeróbica, da força e flexibilidade muscular, somados à deficiência, levam a uma perda de capacidade funcional e independência que poderia ser parcialmente evitada. A prática desportiva neste grupo tem um impacto positivo mais evidente e crítico que em indivíduos normais.
Nesse sentido, vê-se a importância que a prática da canoagem em particular proporciona para o portador de deficiência. Estes benefícios, já confirmados em trabalho de pesquisa, refletem as afirmações acima. Os benefício físicos, mentais e sociais são fortemente visíveis haja visto, as características próprias que envolvem este esporte (contato com a natureza, adaptação às características individuais e rico convívio social).
A CBCa e a Para-Canoagem
A Para-Canoagem a tem por objetivo possibilitar o acesso das pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (PNE) - físico-motoras, sensoriais e mentais - a prática desportiva, despertando o gosto pelo esporte e afastando assim o preconceito da sociedade para com o deficiente.
Neste contexto, a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), criou em 26 de março de 1995, conforme a ata n.º 14, o Comitê Nacional de Para-Canoagem.
História da Para-Canoagem no Rio Grande do Sul
A Para-Canoagem no Brasil, efetivamente organizada em grupo e com atendimento específico, teve início na cidade de Caxias do Sul (RS) em
maio de 2000, na Represa São Miguel.
A idéia de formar uma equipe de Para-Canoagem, aproveitando os atletas que participavam dos treinos de basquetebol sobre rodas, surgiu do professor Getúlio Vazatta. Getúlio era presidente do Centro Integrado do Portador de Deficiência Física (CIDeF) e lecionava na Universidade de Caxias do Sul (UCS), com o técnico da atual Seleção Feminina de Canoagem Velocidade, Álvaro Acco Koslowski.
As aulas de Para-Canoagem foram inicialmente ministradas por dois acadêmicos do curso de Educação Física da UCS, Luciano Comerlato e Josnei da Costa e Silva.
Usando o acesso e o hangar disponível no Complexo Esportivo do SESI, a primeira equipe desta modalidade do estado começava os seus encontros nos sábados pela manhã.
Hoje, os treinamentos são realizados na mesma represa utilizando o hangar da prefeitura que atende o Projeto Navegar. De 2000 até 2005 o grupo de canoístas composto por homens, mulheres e crianças já participou de 15 competições oficiais, entre elas dois campeonatos brasileiros e quatro festivais de canoagem.
Os praticantes de Para-Canoagem em Caxias do Sul são praticantes das modalidades de velocidade e maratona. Todos são pertencentes do Centro Integrado do Portador de Deficiência Física (CIDeF). O CIDeF é uma associação sem fins lucrativos que visa melhorar a qualidade de vida do seu associado através da prática de diferentes esportes adaptados.
Centro Integrado do Portador de Deficiência Física
Modalidade praticada: Canoagem Velocidade e Maratona.
Endereço: Parque Municipal Celeste Gobato, Represa São Miguel,
Hangar do Projeto Navegar, Bairro Fátima. Caxias do Sul - RS.
Telefones: (54) 221-1957 / 226-2484
E-mail: lucianocomerlato@bol.com.br
Apoio/parceria: Universidade de Caxias do Sul - UCS, Prefeitura
Municipal de Caxias do Sul e Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto - SAMAE.