O programa Bolsa-Atleta, criado em 2004 pelo Governo Federal para garantir uma manutenção mínima aos atletas de alto rendimento que não possuem patrocínio é um dos pilares do desenvolvimento recente da canoagem brasileira. O investimento do Ministério do Esporte na canoagem já começa a dar seus primeiros frutos com a conquista inédita de medalhas em certos eventos internacionais, com a quebra de tabus da canoagem e com o aumento substancial de praticantes da modalidade no território brasileiro.
Apenas para a canoagem, o ministério repassa atualmente R$ 891 mil reais por ano para 76 canoístas (53 na categoria nacional e 23 na categoria internacional) que tiveram resultados expressivos em eventos oficiais do esporte. Em 2006 eram apenas nove atletas que recebiam o apoio do Governo Federal, hoje já são 76 e a expectativa para 2010 é que mais 80 novos canoístas sejam atendidos pelo programa.
O suporte federal aos canoístas brasileiros já estão se transformando em resultados dentro da água. Exemplos deste investimento são os inéditos resultados internacionais conquistados pelo jovem Nivalter Santos, atleta da categoria canoa que participou dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Considerado um dos principais talentos da canoagem brasileira nos últimos anos, Nivalter chegou pela primeira vez a uma semifinal olímpica em sua categoria, fato inédito na história do esporte, e já chegou às finais em Copas do Mundo e Campeonatos Mundiais de Canoagem Velocidade.
Outra modalidade da canoagem que está se destacando internacionalmente e hoje é referência mundial é o Rafting. Recentemente, a equipe brasileira Alaya Bozo D´Água, onde seis integrantes recebem recursos do Bolsa-Atleta, foi bicampeã mundial na Bósnia e Herzegovina e é reconhecida como a melhor equipe de Rafting do mundo nos últimos anos.
“Este dinheiro é fundamental para os atletas, principalmente na canoagem que tem muitos atletas de origem humilde. Este apoio faz com que os atletas se concentrem mais no treinamento, pois sabem que o recurso recebido do Governo Federal irá auxiliar suas famílias”, disse Pedro Sena, descobridor e técnico de Nivalter Santos.
Contudo, não são apenas esses dois exemplos do apoio do programa Bolsa-Atleta como um dos principais propulsores da canoagem do Brasil. Desde 2006, ano em que os canoístas brasileiros começaram a receber os recursos do Ministério do Esporte, a evolução da canoagem pode ser visto no número de medalhas conquistadas em eventos internacionais. Para se ter uma idéia, nos dois últimos Campeonatos Sul-americanos de Canoagem Velocidade, das 14 provas que o Brasil disputou, os canoístas brasileiros conquistaram 10 medalhas de ouro. Nos eventos pan-americanos dos últimos três anos o Brasil figura entre os quatro principais países da região, competindo de igual para igual contra potências do esporte como EUA, Canadá e Cuba.
Para o presidente da Confederação Brasileira de Canoagem, João Tomasini Schwertner, os recursos oriundos por meio do programa Bolsa-Atleta acarretam melhorias em toda a canoagem. “Desta maneira sobra mais dinheiro para a entidade investir em competições no Brasil, em programas para atletas iniciantes, viagens para competições no exterior, entre outros investimentos essenciais para o desenvolvimento de qualquer esporte”, explicou.
Segundo o Ministério do Esporte, ano passado foram contemplados pelo programa 3.313 atletas brasileiros de diversas modalidades. Pela primeira vez, o benefício foi concedido a todos os esportistas que estavam aptos a recebê-lo. Os atletas que se inscreveram em 2009 serão avaliados pelos técnicos do programa para que seja conferida toda a documentação exigida pelo Bolsa-Atleta. Atletismo, natação e judô foram os esportes que mais receberam pedidos de inscrições neste ano. No total, o ministério recebeu mais de 7.400 inscrições de atletas em 120 modalidades esportivas, divididas em quatro categorias: Estudantil, Nacional, Internacional e Olímpica/Paraolímpica.